quinta-feira, 31 de março de 2011

Coração em flor

Brota e cresce
Pulsando forte
Vai se abrindo
Viva e vibrante
Se expande
E com suave delicadeza
Exala e semeia
O perfume da natureza
Sobre o meu e o teu amor




quarta-feira, 30 de março de 2011

O segundo despertar da poetisa

Pausa ao cair da tarde
O trabalho não rende
Só dá vontade
De ouvir o que se sente

A pausa é necessária, importante
Pra ouvir o coração
E sua pulsação vibrante
Que soa livre como uma canção

Olha como bate o coração
Harmonioso e ritmado
Ele anseia por emoção
Queria muito estar ao seu lado!

Olhos abertos, penso
Olhos fechados, sonho
Aos devaneios eu me rendo
Nos teus braços eu me ponho

terça-feira, 29 de março de 2011

Hope

In the middle of nowhere
I feel "buena onda" in the air
Uhm... I love the wind in my hair
The scent of flower I wanna share

Green is the field
Peaceful is my mind
The road I wanna build
is the most beautiful of a kind

The sun is shining
I look at it and say
It's so inspiring!
For mother nature I wanna pray

Strong roots, green leaves
Colorful flowers and birds
Cheerful playing kids
"Be happy", I just heard

Body, mind and soul sinergy
How graceful is the butterfly
So light and full of energy
Flying far high in the sky

Orange, red, purple and blue
And other colors I have seen
Now I know it has come true
Wish you also have a sweet dream

Borboletas em Bonito, by Maria Cláudia Paroni





quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Saudosa

Engraçado.  Não sou uma pessoa saudosista.  Sempre caminho olhando pra frente.  É assim com meu gosto musical, que muda de tempos em tempos; é assim com as roupas que eu uso também: as escolho de acordo com a ocasião e com o meu estado de espírito.  Mas, curiosamente, tenho sentido vontade de reviver o passado.  Isso me deixou intrigada, porque não tem muito a ver com a minha essência.  Mas hoje, assistindo ao programa Por toda minha Vida, na Globo, sobre o Adoniran Barbosa, eu encontrei a resposta: tenho a sensação de que algumas lembranças me aproximam do meu pai.

Me emocionei muito com esse programa.  Vi imagens e ouvi histórias de uma época que eu não vivi.  Já meu pai viveu boa parte daquilo tudo.  Ele adorava o Adoniran, que, como ele, era apaixonado pela cidade de São Paulo "dos velhos e bons tempos".  Senti saudades de coisas que eu não vi ou vivi.  Mas meu pai sabia contar histórias com uma paixão tão contagiante que eu me sentia parte integrante daquilo tudo.  Adorava quando ele cantava as músicas do Adoniran, como Samba do Arnesto, Tiro ao Álvaro e principalmente Trem das Onze.  Tempos atrás, me peguei cantando Trem das Onze pro meu filho, que adora a música e já conhece quase toda a letra.  Não sei se canto com o mesmo brilho no olhar do meu pai, mas fico feliz por poder compartilhar com meu filho parte das boas lembranças que meu pai deixou pra mim.

No último final de semana, conversei com minha tia Liris, que é a irmã mais nova do meu pai (antes da minha tia Lúcia, que nasceu bem depois).  Eles eram muito próximos e brincavam muito quando eram crianças.  Ela me contou algumas histórias, entre elas, a de que eles brincavam nos dois canteiros na casa da Rua das Olarias, onde meu pai nasceu.  Cada canteiro representava uma cidade: Pedra Vermelha, cuja prefeita era "o Juca", e Pedra Azul, cujo prefeito era meu pai.  Eles tinham exército e tudo.  Pelo jeito, era uma brincadeira muito interessante e cheia de imaginação.  Senti vontade de ter estado ali... 

Perguntei porque seu apelido era Juca, e minha tia disse que era porque ele queria ter um irmãozinho pra brincar (já que era o único filho homem).  Minha tia contou também que uma vez meu pai levou uma surra muito grande da minha avó Maria por ter repetido de ano.  Diz que minha avó estava tão nervosa, que desfolhou uma samambaia de metro inteirinha.  Dali em diante, ele passou a ser o melhor aluno da escola.  (E eu que imaginava que meu pai sempre fora um aluno exemplar...)

Me deu uma certa tristeza, porque me dei conta de que não conheço muitos detalhes sobre a infância do meu pai, embora ele sempre tenha compartilhado muitas histórias com a gente. Saí de lá com uma vontade imensa de fazer o tempo voltar atrás pra poder ouvi-lo contar tudo sobre sua infância: as brincadeiras, as surras, os aromas e os sabores que mais marcaram essa fase, em detalhes.  Infelizmente, não é possível voltar no tempo.  Mas qualquer hora dessas, vou me encontrar de novo com "o Juca" pra ouvir mais histórias como essas.  Antes, porém, preciso renovar o estoque de lencinhos de papel, porque sei que a choradeira vai ser grande...

Seguem os links para ouvir duas músicas importantes pro meu pai: João e Maria, que era a música dele e da minha tia Liris; e Trem das Onze, por motivos óbvios...










terça-feira, 5 de outubro de 2010

Escorpianos olhos azuis

Era sábado à noite, início dos anos 60.  Wanda chegou ao clube, para se divertir no baile.  Esperava encontrar com Laudo, que havia marcado encontro com ela naquela noite.  Para sua surpresa, Euclydes apareceu no lugar de Laudo, dizendo que o amigo não poderia ir ao seu encontro.  Entre conversa e diversão, Wanda e Euclydes começaram a namorar.

Era sábado à noite, ainda início dos anos 60.  Wanda chegou ao clube, para se divertir no baile.  Dessa vez, acompanhada por sua irmã mais nova, Dirce.  Encontraram Euclydes e seu amigo Laudo.  Entre conversa e diversão, Dirce e Laudo começaram a namorar.

Wanda e Euclydes casaram-se alguns anos depois e tiveram uma linda menina escorpiana, de olhos azuis, cabelos loiros e cacheados: Vânia.  Dirce e Laudo casaram-se um ano mais tarde e tiveram uma menina escorpiana, de olhos e cabelos castanhos: eu!

Vânia e eu crescemos juntas.  Brincamos muito, de tudo quanto era coisa.  Na adolescência, éramos cúmplices uma da outra, ficávamos horas conversando, ao som de Led Zeppelin e Peter Frampton, sonhando com os meninos mais velhos do bairro.  Crescemos e os diferentes caminhos que escolhemos nos afastou daquele contato que era sempre tão frequente e próximo.  Morei onze anos fora de São Paulo e o contato físico se tornou cada vez mais raro.

Mas não há distância no mundo que separe as pessoas que se querem bem.  Comigo e com a Vânia não poderia ser diferente.  Embora morando longe, sempre estivemos próximas uma da outra.  E foi com ela que sempre compartilhei muitas alegrias, dores, dúvidas e decisões importantes da minha vida. Ela sempre me ofereceu seu colo, seu carinho e muitas palavras de conforto e incentivo.

Sou uma pessoa privilegiada por ter uma família com tantas pessoas queridas, especiais e importantes para mim. A Vânia é uma delas! Não foi à toa que escolhi essa minha querida prima e confidente para ser madrinha do meu filho.  Sei que, se um dia precisar, ele estará em excelentes mãos (e coração).

domingo, 26 de setembro de 2010

O amor e o mar

O dia amanheceu chuvoso, propício pra ficar na cama até mais tarde.  Mas decidi abrir mão da preguiça matinal pra fazer uma coisa que não fazia há muito tempo: pegar a estrada sozinha.  Fiz um bate-volta pro litoral norte e matei um pouco das saudades das praias e de lugares que tanto frequentei.  Tenho muitas lembranças de tempos de muita curtição e diversão por aquelas bandas.

Como estou sem som no carro, cheguei a pensar que seria meio chato viajar sozinha.  Mas lembrei que sou uma companhia excelente!  Como fazia tempo que não ia praqueles lados, decidi ir pela Mogi-Bertioga e voltar pela Imigrantes, pra "sentir" a evolução das estradas.  Descobri que não precisamos mais passar dentro da cidade de Mogi das Cruzes pra chegar na Mogi-Bertioga.  E a sinalização estava simplesmente perfeita.  Finalmente!

Quando acaba o festival de curvas na descida da serra e tudo começa a ficar muito plano, bate uma sensação de relaxamento incrível: é hora de começar a apreciar o visual daquela sequencia maravilhosa de praias, uma diferente da outra, uma mais linda do que a outra.  É nessa hora que me sinto em casa.  Mesmo depois de morar tantos anos fora de São Paulo, não esqueci de nenhum detalhe daquele caminho.

Primeira parada: praia da Baleia.  O mar estava calmo, especialmente no cantinho onde estive.  Abriu um pouco o tempo e as pessoas colocaram suas carinhas pra fora de casa: tinha gente caminhando, correndo, mamãe e filhinho brincando na areia da praia, surfista pegando onda e... eu, vestida com roupa de frio e calçando... botas!  Mas eu nem liguei.  Fui até a beira d'água e me benzi com a água do mar.  Fiquei ali por um tempo, apreciando a beleza e a intensidade daquele mar, o que é sempre fascinante pra mim.  Senti uma paz de espírito enorme. 

Peguei a Estrada de Camburi e lembrei de outras tantas coisas boas, como o clima delicioso de lounge (na época, nem se falava nisso por aqui ) e o visual incrível do extinto Bom dia Vietnam; o também extinto Framboesa, que era parada obrigatória pra tomar café e comer um daqueles deliciosos docinhos antes de encarar a estrada de volta pra São Paulo; o Galeão, que foi, sem sombra de dúvidas, o melhor lugar pra dançar e se divertir na "night" nos anos 90, e o caminho quase secreto que leva às casinhas do figuraço Magoo.  Toda vez que ouço a expressão "a última bolacha do pacote", me lembro dele.  Mas essa é uma outra história.

Passei por Boiçucanga e dei uma esticadinha até Maresias, só pra ver se tinha mudado alguma coisa.  Pra falar a verdade, não é nem de longe a minha praia favorita, mas sempre vale o passeio e, claro, as lembranças.  Na volta, dei uma passada rápida pela adorável Barra do Saí e quase parei pra comer uma robata no Tiê.  Mas resolvi fazer uma parada mais estratégica em Juqueí.  Como a Carla e a Cris, minhas amigas queridas e parceiras de tantas viagens, não estavam presentes pra degustar comigo um delicioso camarão da montanha no restaurante Cheiro Verde, me contentei com um sanduba rápido mesmo (eu não gosto de comer sozinha, acho gostoso compartilhar o prazer da boa comida com pessoas queridas!)  Depois, mais um pit-stop obrigatório pra um spresso e o inesquecível brigadeiro-de-copinho do Café Amarula.  Bom demais!

Com as baterias devidamente recarregadas, era hora de voltar pra casa.  Entrei na Piaçaguera-Guarujá e fui tomada por mais um monte de lembranças.  Lembranças igualmente boas, de um outro período da minha vida.  Uma fase importante e inesquecível como todas as outras, mas com um diferencial: o amor!  Foi numa noite chuvosa de 27 de dezembro que eu conheci o Paulo no Guarujá.  Não desgrudamos mais nos cinco anos seguintes.  E o Guarujá era nosso refúgio -  fizesse chuva ou sol, frio ou calor.  Lembro até hoje do sabor do macarrão com creme-de-leite que eu improvisava (comida de praia = improviso) e ele adorava; das caminhadas matinais com a querida dona Suzana; das brincadeiras de pular ondas com o Bruno; da vista que tínhamos do restaurante Sobre as Ondas - que eu nem sei se existe ainda. 

O kit dos finais-de-semana de inverno no Guarujá incluía televisão, vídeocassete, vinho e edredom.  Na volta, geralmente nas noites do domingo, as luzes acesas e a fumaça incessante que saía das chaminés enormes das fábricas de Cubatão lembravam o cenário do filme Blade Runner.  As curvas, subidas e descidas da estrada, cujo trajeto a gente conhecia como a palma de nossas mãos, eram embaladas ao som de Pet Shop Boys, Alan Parsons, New Order, Whitesnake, entre outros.  Ao chegar em São Paulo, batia uma certa nostalgia daquilo que a gente tinha acabado de viver.  E um leve nó na garganta causado pela tristeza da separação.  Na verdade, separação não é o termo mais apropriado nesse caso.  O motivo da tristeza era o rompimento de algo que era sempre tão bom.

E foi embalada por essas doces lembranças que eu percorri as curvas, subidas e descidas daquela estrada nesta tarde.  Senti que fiz esse trajeto com uma expressão de felicidade no rosto e cheguei em casa consciente de um grande desejo: quero viver um novo amor.  Belo e intenso como o mar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Lapsos e colapsos

Quem me conhece sabe que eu adoro dar risada.  Mas isso não significa, em hipótese alguma, que eu gosto de qualquer tipo de humor ou brincadeira.  Não vejo a menor graça, por exemplo, em programas de humor como Zorra Total.  Digamos que estou mais para o humor da Grande Família ou do extinto Cilada, do Bruno Mazzeo (Multishow), entre outros. 

Com relação a brincadeiras, eu não gosto de nenhuma que envolva qualquer tipo de violência, por mais inocente que pareça.  Nunca participei de trotes na faculdade (uma vez fingi que era professora de Física na Belas Artes, mas isso não machucou ou ofendeu ninguém), nem daquelas ovadas sem graça pra "comemorar" os aniversários de amigos.

Curioso é que, apesar dos nossos princípios, em algum momento acabamos nos envolvendo em situações que abominamos em decorrência de "lapsos de bom senso" que afetam qualquer ser humano.  Outro dia vi uma mulher usando aqueles modeladores de corpo cor-da-pele no ônibus e lembrei de uma dessas experiências tristes protagonizadas por mim. 

Alguns colegas de classe do primeiro colegial, no Colégio Carlos de Campos, tinham mania de acender um isqueiro naquele vão entre o assento e o encosto das cadeiras pra esquentar a bunda dos colegas. Num "belo" dia, eu resolvi aderir a essa brincadeira de péssimo gosto com a menina que sentava na minha frente.  Ela não era das mais bem-humoradas e acho que não gostava muito de mim.   Assim que dei início àquela experiência infeliz, ela fez um baita escândalo: parece que a chama do isqueiro esquentou demais o modelador que ela usava sob a camisa branca da escola (fato que eu ignorava, é claro).  Conclusão: tive que pagar um modelador novo pra ela com o dinheiro que eu estava juntando pra comprar um presente pro meu namorado...

Nos dois anos seguintes, a interação aumentou com os meninos da sala de aula ao lado da minha, que tinha muitas meninas.  Virava e mexia, um deles se oferecia pra pular o muro da escola pra comprar pastel na feira livre da Rua Oriente.  A bedel ficava louca, não queria deixar ninguém sair de jeito nenhum, mas sempre se dava um jeito.  Mas quando não tinha feira, nos contentávamos com os lanchinhos preparados em casa mesmo.  Geralmente, embrulhávamos os pães ou frutas em pedaços de papel alumínio pra carregá-los na bolsa. 

Num belo dia, começamos a fazer guerra com bolinhas de papel alumínio e um dos meninos acertou em mim. Primeiro, eu ri; depois, me enchi de coragem e força, mirei e atirei a bolinha de volta, crente que iria acertar no moleque.  Mas eu nunca fui boa de mira e já devia saber que aquilo não daria certo.  Acabei acertando a bolinha em cheio no meio da testa da menina mais fresca da sala: Maria Rita (cujo nome acompanhava um apelido que não posso divulgar aqui).  Minha primeira reação foi abaixar sob a carteira e rolar de rir.  Depois de me recompor, pedi desculpas à moçoila, que estava praticamente em estado de choque.

Tenho que admitir que essa última experiência, apesar de infeliz, rendeu muitas risadas entre minhas amigas por muitos anos.  Mas não lembro de ter me envolvido em outras enrascadas desse tipo.  E, sinceramente?  Prefiro assim, viu?